09 dezembro 2009

entre Minas e São Paulo

depois de um longo e tenebroso inverno, estou de volta! de volta ao retalho de estilo, de volta à capital mineira. é!!! eu me mudei no final de setembro e, desde então, fui tomada por um cotidiano frenético, que não me permitiu sentar e escrever, embora não me impediu de pensar.

logo que cheguei aqui e olhei a cidade, senti uma tranqüilidade. é que Beagá é harmônica esteticamente. sua arquitetura não é conflituosa e ainda há uma beleza nos seus contornos - no horizonte, um mar de montanhas! ou seja, que belo horizonte! que bonita ela é!

belo horizonte em Belo Horizonte

Sampa, por sua vez, é bastante diversa. sua arquitetura é muito quebrada. na Vila Madalena, por exemplo, ao lado de um prédio bacana, tem uma casinha simplória, com um varal do lado da rua. e a cidade é quase toda assim! ela agrega elementos constrastantes, sem equilíbrio e que, à primeira vista, causam muita estranheza.

é aí, contudo, que entra a questão do estilo pessoal. afinal, quando nos vestimos, buscamos a harmonia? ou misturamos peças contraditórias? ou combinamos harmonicamente elementos opostos?

plissados com a harmonia das delicadezas da Acquastudio
ou com o constraste das botas pesadas do Espaço Fashion.
o que você prefere?

tipo, com um vestido de tecido fino, preferimos usar um xale, também de tecido fino ou uma jaqueta perfecto de couro preto? quando usamos uma saia e blusa delicadas, preferimos uma sandália feminina ou uma sandália gladiadora pesada?

Betty, do blog www.leblogdebetty.com, é fera nos contrastes.
vejam que aqui ela combina casaco de pele com
bermuda jeans desbotada, rasgada e dobrada.
e não é que ficou uma graça?

certo é que a harmonia é importante e que o contraste deve ser ponderado. quer dizer, nem todo contraste é bem vindo, embora alguns sejam capazes de tirar a roupa do previsível e produzir efeitos de grande estilo. em outras palavras, descobrir elementos distintos que possam ser bem incorporados à roupa, trazendo a particularidade de quem a veste, é muito legal! algo que podemos aprender olhando, percebendo e misturando as estéticas das capitais mineira e paulista.

13 agosto 2009

seu estilo é sustentável?

a pergunta que dá título ao post é provocante. afinal, sustentar a roupa que se veste, em detrimento de modismos ou críticas alheias, é a base de todo estilo pessoal. mas o que pensar sobre um estilo que inclui valores de sustentabilidade ambiental?

a sustentabilidade, segundo o dicionário Houaiss, significa "o que pode ser sustentado" e de acordo com a enciclopédia wikipédia, o termo original é desenvolvimento sustentável, que muito rapidamente podemos entender como um desenvolvimento atual preocupado com a manutenção das condições de prosseguimento das gerações futuras. ou seja, algo que deve ser enfrentado, de modo inevitável e com seriedade, mesmo quando pensamos a moda e o estilo pessoal.

nessa direção, o blog Oficina de Estilo (http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/b-i-c-i-c-l-e-t-a/) realizou um ótimo post sobre a moda em duas rodas, mostrando-nos como muitas mulheres, em países distintos, vem combinando a bicicleta e o vestir-se bem.

mulheres estilosas de bicicleta

se a sua cidade, porém, ainda não favorece o uso da bike, visite o blog The Sartorialist e inspire-se nas muitas pessoas andando a pé e com muito charme pelas ruas do mundo, inclusive na cidade de São Paulo.

foto tirada por Scott Schuman,
do
blog www.thesartorialist.blogspot.com,
nas ruas da cidade de São Paulo


esses exemplos vem questionar nossa possibilidade de conciliar o vestir-se bem - ou vestir-se de maneira até requintada - e andar a pé ou de bicicleta, contribuindo, assim, para um trânsito melhor, uma redução de poluentes no ar, uma diminuição no consumo de combustíveis, etc. e deixar o carro na garagem é apenas uma das várias atitudes a favor da sustentabilidade, nem tão difíceis de adaptar ao estilo de cada um. quer ver?

Chiara Gadaleta, estilista - dona da grife Tarântula -, stylist e uma das apresentadoras do programa Tamanho Único, do canal GNT, realizou o que chamou "Bazar Sustentável", vendendo, a preços baixos, parte de seu acervo pessoal - isto é, peças de seu próprio uso, que adquiriu ao longo dos anos, em sua trajetória de modelo e viagens internacionais. desse modo, além do repasse de roupas para reaproveitamento, sua proposta pedia que as clientes levassem suas próprias ecobags, evitando, com isso, o desperdício de sacolas de plástico ou papel.

Chiara Gadaleta realizou em julho, em São Paulo,
seu primeiro Bazar Sustentável

para quem não sabe, as ecobags são as sacolas retornáveis usadas nas compras aos supermercados, do tipo daquela velha sacola de feira das avós ou bisavós, no tempo em que os sacos e sacolas de plástico não eram tão comuns como hoje. eles, reconheçamos, deixaram a vida bem mais prática, mas revelaram-se um problema ambiental, uma vez que o plástico leva mais de cem anos para ser decomposto pela natureza. e antes que você ache desconfortável ir a um bazar e não contar com a sacola plástica para carregar suas compras, veja as inúmeras e belas opções de ecobags no mercado.

tem modelos de ecobag para todos os estilos

e então?
que tal adquirir uma, que não vai lhe custar muito, e surtirá um efeito - mesmo que aquele que você pode provocar - na redução de plástico no mundo? e mais, que tal tê-la sempre dentro da bolsa para, inclusive, incentivar ações como essa?


Viviane Westwood assume suas idéias
a favor da sustentabilidade


ainda nessa onda, a estilista inglesa Viviane Westwood, num programa de tevê da BBC, do apresentador Johnathan Ross, fez um discurso contra o consumo desenfreado, que sabemos aumentar o lixo do mundo. segundo o site www.chic.com.br, seus conselhos foram:

"
. não gaste dinheiro. continue usando as roupas que você já têm; . faça uma roupa de uma toalha de mesa ou cortinas de que você gosta; . pegue peças de seu namorado ou marido emprestadas; . se você realmente comprar moda, escolha bem o que comprar. isso ajuda o ambiente e você mesmo. 'senão as pessoas todas ficam parecidas umas com as outras', completou a estilista."

são tantos os exemplos que eu ainda poderia citar que só me resta concluir que a sustentabilidade é uma forte tendência de moda e que é bom se perguntar sobre a possibilidade de agregá-la ao seu estilo. afinal, nem será tão difícil, como sugere parte dos que fazem moda, e é por uma boa causa. vamos pensar a respeito?

04 julho 2009

"alguma coisa acontece no meu coração"*

há quase 3 anos eu me mudei para São Paulo: a maior metrópole do Brasil! e da América do Sul!!! não foi propriamente uma escolha pela cidade, mas por viver ao lado do, hoje, meu marido - ou, pensando um pouco, até pode ter sido, já que escolher ficar ao lado dele implicava viver aqui. de qualquer forma, ela tornou-se, assim, a terceira cidade da minha vida, depois de Pará de Minas - município dos meus pais, onde passei minha infância e adolescência - e Belo Horizonte - onde cursei a faculdade e iniciei minha carreira profissional.

e as mudanças, também de endereço, em geral, forçam-nos a mudar, em alguma intensidade, nosso jeito de ser e vestir. foi, é certo, o que aconteceu comigo, aos 18 anos, quando migrei para a capital mineira e, mais recentemente, para a capital paulista, embora os processos tenham sido diferentes no que diz respeito "a cidade" e sua influência no meu comportamento.

dá para enxergar mineiridades nos
desfiles do verão 2010 das grifes
mineiras
Graça Ottoni e Coven?
(clique em cima da imagem para ampliá-la)

é que Belo Horizonte está a apenas 80 km de Pará de Minas e configura-se, ao meu ver, como uma grande "terra de mineiros", vindos de todas as partes do estado. isso possibilitou-me, naquele momento, o conhecimento de algumas diversidades, mas também o reconhecimento de muitos hábitos, jeitos e sabores.

Sampa, por sua vez, não me apresentou mineirices (claro!), mas, além disso, não me mostrou "uma" cultura, "um" povo, como eu estava acostumada. o que vi foi uma diversidade de culturas e uma grande quantidade de povos de todo o Brasil e do mundo inteiro - isto é, diferenças que de tão grandes eram sentidas, em alguns momentos, como "o avesso do avesso do avesso", produzindo o cada um do seu modo, do seu lado, sem diálogo, sem troca.

foi aqui que comecei a usar sapatos mais baixos, que me permitissem looongas caminhadas. investi em paletós 100% lã, que realmente aquecessem. redescobri minhas orelhas e voltei a usar brincos, que, antes, eu preteria aos colares, broches e pulseiras. deixei de lado o secador e passei a encontrar beleza nos cabelos mais ouriçados e até irregulares. aumentei meu interesse por peças simples, mas belas - seja no design, seja no material -, que me possibilitassem imendar "bem" o dia e a noite. e, por fim, fiquei mais à vontade para ousar nas "fantasias" - algumas roupas que faziam meu marido perguntar-me se eu estava vestida de alguma personagem.

redescobri, na capital paulista, a possibilidade de usar
sapatos baixos e de enfeitar as orelhas


ou seja, fui obrigada a me adaptar a extensão da cidade, as suas baixas temperaturas, a exigência de objetividade e percebo que perdi, em parte, um pouco da delicadeza, do romantismo e das minúcias da roupa mineira. é até curioso refletir sobre isso, de que as mudanças que me foram necessárias exprimiram-se na vestimenta. agora penso que se a mineira é mais devagar, o que a permite uma maior elaboração, uma grande atenção aos detalhes, a paulistana é apressada e sua presença tem que se fazer notar com rapidez, praticidade e ousadia.

os mineiros Victor Dzenk e Ronaldo Fraga mostram
um trabalho minucioso nas passarelas do verão 2010


em outras palavras, se o estilo pessoal de uma mineira se faz notar nas entrelinhas, já que ela tem consigo a identidade de um povo, o da paulistana é mais escancarado, mais direto, de uma "deselegância discreta", já que não há uma cultura que a identifique, mas uma grande diferença que resvala para a indiferença e exige que a comunicação de uma peculiaridade se faça de maneira veemente.

peças "de presença" adquiridas em São Paulo

e se hoje eu divido essas palavras com vocês é porque me sinto uma mineira, que "vem de um outro sonho feliz de cidade" e que não ficou isenta de sentir, no coração e na "estampa", os acontecimentos e os efeitos de um tempo já vivido em Sampa.

para suportar as baixas temperaturas da "terra da garoa",
comprei uma lã 100% na 25 de Março,
elaborei esse modelo e pedi a Maria,
minha costureira de Pará de Minas, para confeccionar

* algumas frases usadas aqui são de Caetano Veloso e estão na música "Sampa".


obs.: gostaria de sublinhar que o conteúdo desse post refere-se a UMA experiência PESSOAL e ATUAL, isto é, que parte dos elementos da minha realidade e que estão em constante transformação.

18 junho 2009

onde o inverno é verão

o inverno 2009 acabou de chegar - deixando os dias mais curtos e as temperaturas (ainda) mais frias - e a temporada de desfiles do verão 2010 brasileiro já está rolando. na quarta passada, aqui em Sampa, começou a são paulo fashion week, logo após o encerramento do fashion rio, na semana anterior. e eu - que ando com os pés gelados! - não tenho acompanhado os detalhes, como fiz na última edição, porque ando muito ocupada com um outro trabalho, que precisa ser concluído.

para quem quer acessar as imagens, os sites Chic (www.chic.com.br), Erika Palomino (www.ericapalomino.com.br) e do próprio spfw (www.spfw.com.br) são algumas boas opções. aos pouquinhos, contudo, espero degustar os looks, localizando as boas idéias, as tendências e os estilos de cada grife.

sem mais, aproveito para falar de algumas impressões que me ficaram desde os desfiles do inverno 2009.

homens, na rua, mostram seu interesse pelo vestir.
imagens no www.thesartorialist.blogspot.com

a primeira delas é uma pergunta, sobre a qual eu ainda não tenho uma formulação, até porque sei que uma resposta apressada pode ignorar alguns aspectos: a moda é, em grande parte, feminina? ela me veio com a enorme desproporção entre os números de desfiles dirigidos às mulheres e aos homens e ainda quanto a possibilidade, nesses últimos, do público masculino, em geral, não se identificar com os looks sugeridos. sei que a cultura e o mercado de moda muito tem a ver com isso e me alegro com a vida real e, por exemplo, com as fotos de estilosos homens nas ruas, que o fotógrafo Scott Schuman, do blog The Sartorialist, faz pelo mundo.

homens pra lá de estilosos no blog
www.thesartorialist.blogspot.com

a segunda delas é que confundimos muito moda, tendência de moda e estilo pessoal. isso provoca algumas injustiças, embora elas sejam tão comuns como alguns erros de português que, por possuírem muita força, acabam aceitos com o tempo. eu, de minha parte, entendi, por exemplo, que ao assistir os desfiles, ou seja, entrar em contato com as tendências de moda, devo percebê-las enquanto merecedoras de críticas, ao mesmo tempo que capazes de trazer novidades - o que pode ser útil na produção de um destaque, tão próprio do estilo pessoal. em outras palavras, aqueles que se interessam em se vestir bem, no sentido de produzir uma boa comunicação a respeito do que se é e do que se acredita, pode descobrir, com as tendências de moda, bons jeitos de fazer essa transmissão, embora não seja uma obrigação, nem uma garantia.

então, esse blog, que se dedica a pensar o estilo pessoal, vai, daqui a pouquinho (ainda no inverno!), trazer umas imagens das coleções de verão, enquanto elementos para a gente pensar e ousar nas produções, ok? até lá, deixo vocês com algumas que já chamaram a minha atenção.

Maria Bonita, Alexandre Herchcovitch e Glória Coelho
na edição de verão 2010 do spfw

alguns looks que provocaram minha admiração
Ronaldo Fraga
, Neon e Osklen

22 maio 2009

legging?

desde o desfile do Ronaldo Fraga no último são paulo fashion week que eu estou para falar das leggings. é que ele apresentou uma porção delas sob os vestidos de crianças e idosas. naquele momento, era apenas o Ronaldo levando para as passarelas uma idéia já conhecida nossa, a legging usada com vestido, embora tal modelo de calça ainda não tivesse surgido nas apresentações do inverno 2009, ou seja, do fashion rio, que aconteceu um pouco antes da semana de moda paulistana.

Ronaldo Fraga e sua proposta, já conhecida de nós,
da combinação de legging sob vestidos mais sapatilhas.
percebam, contudo, que a dele tem furinhos -
um acréscimo de charme e brincadeira

momentos seguintes a apresentação de Ronaldo, alguns blogs se perguntavam se a tal legging era um "efeito de passarela", isto é, algo que só serviu ao desfile, mas que não chegaria a ser usada pelas pessoas nas ruas.

acontece que a legging vista, em primeiro lugar, na coleção de Fraga, revelou-se enquanto uma tendência de inverno, pois apareceu em vários desfiles subsequentes, como Alexandre Herchcovitch, Amapô, Huis Clos, Glória Coelho, Carlota Joakina, Reinaldo Lourenço, Lino Villaventura, Do Estilista, Neon, etc.

a legging apareceu de muitos outros jeitos, em vários desfiles do spfw.
aqui, Carlota Joakina, Do Estilista e Lino Villaventura

e vc sabe o que é uma calça legging? entende porque a estranheza inicial de alguns blogs de moda em relação ao uso dela? melhor dizendo, entende como o uso da legging traz alguma novidade para o inverno 2009?

a palavra legging é de origem inglesa e vem de leg que, por sua vez, significa perna. a calça legging é, portanto, uma calça bem ajustada ao corpo, acompanhando o contorno da perna. por isso, é confeccionada em tecidos que proporcionam aderência e que tenham fibra do tipo elastano na composição, o que a torna ideal para a prática de esportes.

entretanto, já há um tempinho a legging apareceu sob vestidos e acompanhadas de sapatilhas, como na proposta de inverno do Ronaldo, do Lino, entre outros. a impressão dela usada assim é quase de uma meia-calça, mas sem pé, e o efeito é o de quebra de expectativa de "só vestido".

leggings, brilhos e saltos - luxuosas? e bem distantes das "de ginástica".
Alexandre Herchcovitch, Glória Coelho e Reinaldo Lourenço

na maioria dos outros desfiles, no entanto, a legging veio poderosa, não mais como uma espécie de meia-calça (enquanto acessório), mas marcando presença, com muitos brilhos, e "duplando" bem com blusas e/ou paletós "grandes" mais sapatos de saltos (!!!), isto é, muito além de vestidos e sapatilhas.

leggings 80: cheias de brilho e contrabalançando blusas e paletós grandes,
nos desfiles da Amapô, Huis Clos e Neon

percebam ainda que uma vez que o tamanho da peça de cima está maior nesse inverno (o paletó do namorado, as malhas grandes de lã e até as "blusonas" e "camisonas"), a legging se tornou um boa possibilidade de contrapeso e essa estética, somada aos brilhos, as vivas cores, as tachas... trazem "novos" ares dos anos 80. que tal?

a Madonna dos anos 80: legging, cores vivas e tachas

04 maio 2009

brecholando

hoje eu vou me permitir fazer um post mais espontâneo, aproveitando uma situação que vivi com uma parente, que me fez uma recente visita em São Paulo. certa de que ela ia apreciar, levei-a à tradicional "feira de antiguidades do MASP". trata-se de um comércio que acontece nas manhãs e tardes de domingo, no vão livre do prédio do Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista, e que vende "coisas antigas" - desde livros e objetos de uso pessoal, até os mais diversos ornamentos para a casa.

a "feira de antiguidades do MASP" é uma das opções
em São Paulo, para quem gosta de "brecholar"
(assim como a "feirinha da Benedito Calixto" e a "do Bexiga").
sua característica é a de que as peças já estão bastante
selecionadas e, por isso, nem sempre possuem um preço baixo.
de qualquer modo, sempre há algumas "boas oportunidades",
além de valer o passeio e a apreciação dos objetos

logo de início encontramos uma linda bolsinha de mão, prateada, com uma armação de metal enfeitada com flores e com um preço bem interessante. nem eu, nem ela, duvidamos sobre a boa oportunidade, quando ela fez sua primeira aquisição. mais à frente, porém, ela me disse: "olha! não reparei que está com essa manchinha!"

um pouco depois ela achou um charme de brinco. ele era comprido, ideal para um vestido que vai usar num próximo casamento e que exige, como complementos, brincos longos e/ou pulseira - que distribuam a atenção concentrada no tronco, onde está o forte da roupa. ela pediu minha opinião, assim como de sua mãe. ambas gostamos, mas prosseguimos nossa caminhada, enquanto ela decidia na barraca. um pouco depois, ao nos reencontrarmos, ela pediu que voltássemos juntas para concluir a compra, mas o brinco já tinha sido vendido para outra pessoa, o que a deixou chateada.

Alix, do blog www.thecherryblossomgirl.com,
é encantada por peças antigas

o que quero apontar com esse exemplo é que quando compramos uma peça antiga, "de brechó", estamos adquirindo uma peça que, em geral, já foi usada e que tem uma idade e, portanto, suas marcas. essas, desde que não comprometam a estrutura da peça, ou seja, desde que não sejam estragos, não são necessariamente defeitos, mas traços do tempo - pelo menos, é assim que eu vejo.

dito de outro modo, posso brincar que olhar as marcas de uma peça é mais ou menos como olhar as rugas da pele. haverão aqueles que demandarão um botox e aqueles que pensarão: "faz parte do processo". cabe então saber o que é valor para você e, no caso da minha parente, um esclarecimento de que ao desejar uma peça antiga está sujeita a encontrar nelas algumas marcas da passagem do tempo.

os sapatos fotografados para o www.thecherryblossomgirl.com
trazem as marcas do tempo

o outro ponto é que peças antigas são, na maioria das vezes, peças raras, difíceis de achar, e, em alguns casos, "quase únicas". isso acrescenta valor à peça, ao mesmo tempo que exige de nós uma esperteza para não perder uma boa chance - aquela que alia, na peça a ser adquirida, um bom estado e um preço justo.

logo, é bom realçar que a peça antiga tem essas duas importantes características: apresenta marcas do tempo e, uma vez rara, é capaz de acrescentar muito personalidade ao look.

para alguns, as peças antigas - raras e marcadas - são belas

sei que minha parente, que gosta de "brecholar", ficou um pouco confusa ali no MASP, diante das várias possibilidades que aquela feira apresentava-lhe, pela primeira vez. de volta à casa, ela mesma deve avaliar se fez boas compras e o que considerar numa próxima ocasião.

20 abril 2009

entre meias

quando o frio começa a pintar, é hora de se agasalhar, cobrindo braços e pernas. para essas últimas, as calças são ótimas opções e, nesse inverno, vieram em modelagens tão diversas - skinny, sarouel, carrot (ou cenoura, que é a antiga semi-baggy), baggy, curta, reta... -, que vai ser fácil encontrar "a sua".

quem, contudo, não abre mão de uma saia ou um vestido, pode usá-los com meias-calça. elas, já há um tempo, são oferecidas em cores, texturas, estampas e fios que permitem as mais variadas combinações. e, pelo jeito, a atenção a essa parte do vestuário - que cresceu com o encurtamento das saias - continua grande. vamos ver?

meias opacas e coloridas nos desfiles
da TNG e Isabela Capeto


na hora de escolher uma meia, cabe pensar o que se quer com ela. isto porque além de proteger contra o frio, elas podem enfeitar, sofisticar, dar um toque de sensualidade, compor, comprimir, modelar, disfarçar ou até nos fazer duvidar do seu status de acessório.

as meias nas fotos acima, por exemplo, são opacas - com o fio a partir do 40 - quer dizer, mais "tapadinhas" e, portanto, próprias para o inverno. as cores, por sua vez, ajudam a enfeitar o
look, ou destacando-se (como com os vestidos pretos) ou produzindo continuidade (como com o vestido em tom de vinho/marrom).

a meia também se sobressaiu nas passarelas internacionais.
vejam, no desfile de Narciso Rodriguez, inverno 2010,
que a meia branca é tão importante no look
quanto as partes vermelha e preta


já as meias com o fio abaixo do 40 são transparentes e, quanto mais fino o fio, mais transparente (e também mais sensível, delicada, fácil de furar). o efeito é, por conseguinte, o de visão da pele por detrás da meia, o que acrescenta sensualidade e/ou pouco interfere na composição do figurino.

Reinaldo Lourenço apostou nas meias "transparentes"
e na mesma cor das roupas

e foi exatamente uma meia assim, mais fina, que também a marca Maria Bonita Extra propôs para o inverno 2009 - oferecido ainda pela Lupo, antiga fábrica brasileira de meias. trata-se de um meia transparente, de cor tradicional, mas com o detalhe do "risco atrás". aliás, vocês se lembram que as mulheres, na época da guerra, desenhavam tal risco, direto na pele, para simular a presença da meia? isso nos faz pensar o quanto ela era desejada, rara e cara - não?! de todo modo, o efeito aí, além de ser um charme, sensualiza e produz continuidade.

meias com um toque de sensualidade:
Maria Bonita Extra e Elisa Chanan

também nessa linha, mais sensual, estão as meias-arrastão ou "de rede", que, há muito, já não implicam uma "dançarina de cabaré". a propósito, quem deseja usá-las e, ao mesmo tempo, quer um pouco de discrição, há opções em cores suaves ou em tons de pele, à venda por aí.

e mais, os desfiles do inverno 2009 ainda trouxeram as meias estampadas e ou com desenhos feitos com o próprio fio. ambas interferem no figurino e devem ser combinadas com cuidado, para não provocar uma confusão visual.

as estampadas podem ser usadas com roupas
em um único tom. caso queira usar com roupas também estampadas, dê preferência para estampas com cores iguais ou irmãs.

já as com desenhos feitos com o próprio fio, quando "desenhos fechados", tem o mesmo efeito de uma meia rendada. a idéia aí é combinar com roupas de uma só cor ou
com o jeans, numa atitude meio punk rock - topas?

as meias estampadas seguindo a
regrinha de combinação pelas cores.
Uma, Cavalera e Maria Bonita

e acreditem! vocês ainda vão encontrar outros tipos nas lojas, entre os quais, as meias com brilho. com elas, a idéia é não abusar. logo, se o inverno estiver muito luminoso, melhor deixá-las para a noite.

meia com desenho fechado de fios usada
com roupa na mesma cor e meia brilhante
- mais propícia para a noite -
saindo bem de dia, desde que acompanhada
de peças que quebrem a luminosidade.
nas fotos, modelos de Lino Villavenura e Luella

e então, que tal aproveitarmos que o nosso inverno não é tão rigoroso e que as meias são favoráveis a esse clima de meia-estação? que tal aproveitarmos que as meias não são mais tão caras e nem tão frágeis como antigamente (quando eram de seda) e estão acessíveis até em farmácias e lojas de departamento? que tal aproveitarmos que é possível renovar o visual de algumas peças "antigas" acrescentando apenas uma bela meia?

Alexa Chung (imagem do blog www.garancedore.fr) e
uma pessoa fotografada para o Sartorialist
(www.thesartorialist.blogspot.com)
mostram como o acréscimo da meia-calça faz uma malha ou
uma camisa longa virarem um vestido


só não se esqueçam de dispensar todas as meias estragadas. na hipótese de só ter meias com furinho ou desfiado (exceção para as poucas pessoas que, de forma intencional, provocam furos e desfiados, como um recurso de estilo punk, mas então muitos furos e desfiados), melhor escolher uma calça ou ir com as pernas descobertas, pois os estragos dão a impressão de desleixo. e, na hora de guardar ou lavar, cuidado para não espichar, ok?

14 abril 2009

escolhendo o risco

certa vez, eu, que estava sem namorado há um tempo, escutei de uma pessoa que uma outra pessoa - leia-se: ela mesma ou ela também - possuía uma opinião a respeito: "era por causa das minhas roupas, que eram muito esquisitas."

de início, senti um misto de raiva e indignação e respondi: "esquisitas para ela! não para o meu futuro namorado!" foi uma resposta carregada de afeto - atravessada pelas relações que eu tenho com essas pessoas - mas não sem sentido. afinal, eu estava construindo meu estilo, conhecendo e/ou reconhecendo minhas idéias, meus interesses e, portanto, separando-me das idéias e interesses dos outros. nessa direção, eu estava certa sobre minhas roupas e meu marido (na época, futuro namorado), embora eu sentisse um certo desconforto em não agradar a todos que me eram caros.

mas, é isso aí! assumir o que se pensa - e também refletir isso na vestimenta - comporta o risco de ser criticado pelos outros, que preferiam você como uma extensão deles próprios. cabe então, a cada um, avaliar quanto pesa para si, o "ser aceito" e o "ser fiel ao que se é". e, é bem provável que, em situações diferentes, os pesos sejam diferentes.

vocês se lembram da história do Patinho Feio?
nela, o dilema era
ser igual aos irmãos
ou assumir sua diferença


o que quero sublinhar é que a construção de um estilo é um processo de conhecimento sobre si mesmo e de reconhecimento de si em cada nova situação. em outras palavras, implica, além do risco de ser criticado, o risco de se confundir e errar. afinal, nem tudo é sempre tão claro em nossas vidas. quer um exemplo?

dias atrás fui num casamento noturno, fora de São Paulo. ao preparar as malas, separei um vestido que fiz recentemente e cujo comprimento vai até o joelho. foi quando meu marido perguntou-me: "você não vai de longo?" prontamente eu disse não - na verdade, tenho achado os vestidos longos sem graça. confesso, porém, que ao pensar na possível festa, nas pessoas que encontraria, hesitei quanto a adequação do vestido e acabei acrescentando um longo na mala. no dia, contudo, só me reconheci no vestido mais curto e - confiante! - investi no cabelo, maquiagem e acessórios.

vestidos curtos que vão a um casamento:
Isabela Capeto, Neon e André Lima

vestidos longos - esses com graça -
Acqua Studio
, André Lima e Samuel Cirnansck


em outras palavras, escolhi o risco de ser criticada por não estar de longo em detrimento do risco de não me sentir confortável de vestidão. e, pelo jeito, acertei! não me senti mal em ser uma das únicas de vestido curto, as críticas não aconteceram - pelo menos, que eu saiba - e até recebi alguns elogios.

de qualquer forma, eu arrisquei e poderia ter errado, como já errei muitas vezes. afinal, ao fazermos escolhas, escolhemos os riscos e nem sempre calculamos bem o que mais nos importa. a partir do momento, porém, que se torna mais claro, pra gente mesmo, qual a mensagem que queremos transmitir com a roupa que vestimos, erramos menos e nos preparamos melhor para as críticas que vierem.

a dúvida entre vestido curto ou vestido longo era, na verdade,
a dúvida entre usar o que queria e o que convinha.
nas fotos, ousadias - criticáveis? sustentáveis? - nos desfiles da
Cavalera, Alexandre Herchcovitch e Fause Hat
en

então você, que está em dúvidas quanto ao que vestir, pense e arrisque. e, se errar, errou! aliás, faz parte.

06 abril 2009

UM jeito de usar

no último são paulo fashion week, que ainda rende assunto - afinal, diz respeito ao inverno 2009 -, surpreendi-me com um jeito de usar a "velha" malha de lã, muito além de um agasalho somente para crianças e idosos ou que se veste apenas em casa. é que a peça, em geral, grande e larga, não é nenhuma novidade aos nossos olhos e, de modo muito provável, já esteve ou ainda está presente em nossos armários.

malhas de lã enquanto vestidos curtos nos desfiles da
TNG, Juliana Jabour e Colcci

vejam como a malha de lã pode ganhar as ruas e as jovens-adultas, como um mini-vestido, desde que valorizada pela estampa e/ou por boas combinações: com meia-calça colorida, botas, polainas e broches.

"velhas" peças em um novo jeito de usar,
na passarela de Simone Nunes


nas propostas de Simone Nunes, as lãs - uma de estampa até comum (mais curtinha), outra atual - vem acompanhadas do uso do cinto, ora sobre bermuda, ora repetindo a idéia de um vestidinho.

a proposta aqui é chamar atenção ao fato de que a marca pessoal de cada um se faz desde a escolha da peça, passando pelos detalhes (tamanho, modelagem, acabamento...) que a compõem, até o jeito de usar. isto quer dizer que a mesma peça, que comporta os mesmos detalhes, ainda assim diferencia-se em cada um que a veste, com seu corpo (claro!), mas também suas combinações.

o paletó de malha de lã vai passear com "eles",
acompanho de calça skinny e botas, da 2nd Floor


em outras palavras, o jeito de usar é um modo de criar e até inovar um estilo, já que se pode escolher o seu jeito de usar uma peça e de inventar novos jeitos seus de usar antigas peças. e então, nesses dias frios, que já pintam por aqui e por aí, que tal, inspirados pelas imagens, repensar os usos das suas malhas de lã?