29 dezembro 2011

o ano de 2011

nesse ano de 2011, fiquei completamente sumida do blog, por falta de tempo, pelo investimento da energia em outros lugares, mas também por desinteresse. aliás, deixei de gostar de alguns blogs que se profissionalizaram, talvez porque era o tom de cotidiano, de realidade, de vida comum, que me atraía neles. descobri, entretanto, um outro, com uma proposta inusitada. no www.umanosemzara.com.br, a autora, Joana, que se diz uma consumista inveterada, se propõe "uma saga": passar 365 dias sem comprar uma só peça de vestuário. claro! em alguns momentos, ela se salva com os amigos e parentes, que sabem lhe presentear. na maior parte do tempo, contudo, cumpre fielmente seu propósito e vai inventando mil e uma maneiras de usar as peças que já tem.


Joana arrasando na combinação de estampas


ontem, no dia 300, Joana se mostrou alegre e emocionada, ao recuperar a história de que sua avó também fotografava os próprios looks, numa "época em que iphones e máquinas digitais nem sonhavam em existir". como ela mesma desenhava as roupas, fotografá-las devia ter a importância de um registro. pensando assim, porém, quando Joana inventa um jeito de combinar peças, também não está criando? e isso não vale mesmo uma foto, que ajuda a não esquecer uma boa forma de usar as roupas e até de identificar porque uma veste melhor que a outra?


bons looks merecem um registro


aliás, profissionais de estilo sugerem que toda pessoa interessada em se vestir bem, deveria criar - em tempos de iphones e máquinas digitais! - um look book pessoal, que é exatamente um álbum de uma série de bons looks próprios, fácil de pesquisar na correria do dia-a-dia.


fotos dos looks da avó de Joana

então, termino o ano partilhando o blog da Joana, que conseguiu me distrair em 2011, e, especialmente, o post do dia 300, que também conseguiu me encantar: www.umanosemzara.com.br/2011/12/dia-300.html#links

20 dezembro 2011

mais raridades...

gostar de uma peça rara tem a ver com a apreciação das diferenças, com a possibilidade de fazer delas um valor.

uma peça rara sempre tem uma marca da passagem do tempo, que seja pequenos arranhões ou desbotamentos. ela traz consigo uma idade vivida, que foi às ruas, que dançou nos salões, que enfeitou os corpos.



esse brinco, por exemplo, certamente se esbaldou nos anos 80, flertou com David Bowie e pouco se abalou, pois em 2000 quase 12 chegou. (tamanho: 4x4cm). 25 reais + frete.
VENDIDO!








esse outro, de pressão, parece uma pequena gravatinha borboleta que vai fácil da orelha ao decote, do decote à orelha. (tamanho: +ou- 4x2cm) 25 reais + frete.
VENDIDO!









e qual romântica nunca procurou um broche de camafeu pra chamar de seu e adornar seus colarinhos? esse é delicado, em tons de pérola e dourado. (tamanho: +ou- 3x2,5cm). 25 reais + frete.
VENDIDO!








e tem mais de tons de pérola e dourado! esse par de brincos de rosca, com seu formato geométrico e uma enorme presença. (tamanho: +ou-5x3cm) 30 reais + frete. VENDIDO!







caso se interesse por alguma peça, escreva para retalhodeestilo@gmail.com

sabe peça rara?

há algum tempo garimpo em brechós, bazares e garaginhas, principalmente de São Paulo, umas peças raras pra revender. começou como uma brincadeira, a partir do questionamento dos amigos, de onde vinham os objetos que eu portava.

elas são usadas, antigas e marcadas pelo tempo. seus valores e belezas estão no design e na raridade. são quase únicas e, portanto, capazes de tornar um modo de vestir bastante pessoal. quer dar uma olhada?




esse brinco é de pressão, com ondas em tons de rosa e laranja. por ser transparente, é de uma presença leve. (tamanho 3x2 cm) 30 reais + frete.
VENDIDO!










esse também é um brinco de pressão que lembra roda de bicicleta. é um tipo de brinco que pode escorregar da orelha por querer enfeitar decote, bolso, cinto, faixa - um subversivo! (tamanho: 3cm) 35 reais + frete. VENDIDO!







várias pessoas viram o que quiseram nesse brinco: coração, pedra, vermelho. são maçãs minha gente! em acrílico roxo. (tamanho: +ou- 3x2cm) 25 reais + frete.















VENDIDO!
coração, entretanto, não há de faltar, com um luxo de broche em pedras rosas e lizases. (tamanho: 6x4cm). 55 reais + frete.





belezinhas também para segurar as chaves ou enfeitar as bolsas.
chaveiro espanhol, em formato de pandeiro. (tamanho: quase 3cm e meio). 25 reais + frete.








caso se interesse por alguma peça, escreva para retalhodeestilo@gmail.com

10 abril 2010

ser fashion? pode!

em junho do ano passado, Glória Kalil foi entrevistada no programa Roda Viva por, entre outros, o escritor Paulo Lins, autor do romance Cidade de Deus. ele lhe disse que percebia "pessoas muito ligadas em moda... como uma coisa fútil". sua fala, de imediato, remeteu-me a uma matéria escrita, há alguns anos, numa das mais importantes revistas de moda do Brasil. ela convidava "sua leitora" a ignorar a sujeira do Rio Pinheiros, depois de um dia de compras caras. eu confesso que fiquei ofendida. ofendida por assinar uma revista com a qual eu me identificava - ao menos, de maneira estética - e que me propunha fechar os olhos quando a sujeira aparecesse, ou seja, fechar-me em um mundo de ilusão, desconsiderando a realidade ao redor. respondi à revista e, claro ou infelizmente, não obtive qualquer retorno. é nesse ponto, contudo, que entendo a fala de Paulo Lins. pareceu que era preciso ser burra para gostar de moda, não saber das questões sociais e políticas que envolvem as existências de um mercado de luxo e de uma sujeira - e miséria - que o envolve.

Paulo Lins questionou Glória Kalil sobre
moda e futilidade
(programa Roda Viva)

ainda bem que a moda hoje está muito mais diversificada e não se reduz a grupos de consumistas acríticos. aliás, a revista pareceu-me - afora sua estética, que ainda me agrada - ultrapassada, pois, como prosseguiu a conversa com Glória, valores de sustentabilidade, civilidade e democratização estão cada vez mais presentes e visados no mundo fashion, esse que, nos últimos anos voltou seu olhar para a vida real, para as ruas, interessando-se pela inventividade, no cotidiano, das formas de se vestir de quem trabalha e circula, de forma cidadã, por aí.

então, gente, é um alívio poder curtir moda sem ter que ser fútil. apreciar o design, o caimento, a qualidade, sem concordar em pagar um absurdo por eles. explorar diferentes possibilidades, nas lojas de departamento e brechós, na reutilização e reaproveitamento das peças, ou seja, agregando e apresentando, também no vestir, os valores que se tem, que compõem quem se é, o que se quer comunicar no mundo e na sociedade em que vivemos.


o uso da bicicleta em detrimento do carro
faz parte de um estilo fashion cidadão
(imagem do site: http://www.copenhagencyclechic.com)

por fim, pode-se sim, ser fashion e cidadã, saber da necessidade de estar atenta às responsabilidades com o coletivo, com o que envolve a vida e a realidade do país e do mundo e, além disso, curtir roupa, moda e estilo. fashion com estilo cidadão! que tal?

09 dezembro 2009

entre Minas e São Paulo

depois de um longo e tenebroso inverno, estou de volta! de volta ao retalho de estilo, de volta à capital mineira. é!!! eu me mudei no final de setembro e, desde então, fui tomada por um cotidiano frenético, que não me permitiu sentar e escrever, embora não me impediu de pensar.

logo que cheguei aqui e olhei a cidade, senti uma tranqüilidade. é que Beagá é harmônica esteticamente. sua arquitetura não é conflituosa e ainda há uma beleza nos seus contornos - no horizonte, um mar de montanhas! ou seja, que belo horizonte! que bonita ela é!

belo horizonte em Belo Horizonte

Sampa, por sua vez, é bastante diversa. sua arquitetura é muito quebrada. na Vila Madalena, por exemplo, ao lado de um prédio bacana, tem uma casinha simplória, com um varal do lado da rua. e a cidade é quase toda assim! ela agrega elementos constrastantes, sem equilíbrio e que, à primeira vista, causam muita estranheza.

é aí, contudo, que entra a questão do estilo pessoal. afinal, quando nos vestimos, buscamos a harmonia? ou misturamos peças contraditórias? ou combinamos harmonicamente elementos opostos?

plissados com a harmonia das delicadezas da Acquastudio
ou com o constraste das botas pesadas do Espaço Fashion.
o que você prefere?

tipo, com um vestido de tecido fino, preferimos usar um xale, também de tecido fino ou uma jaqueta perfecto de couro preto? quando usamos uma saia e blusa delicadas, preferimos uma sandália feminina ou uma sandália gladiadora pesada?

Betty, do blog www.leblogdebetty.com, é fera nos contrastes.
vejam que aqui ela combina casaco de pele com
bermuda jeans desbotada, rasgada e dobrada.
e não é que ficou uma graça?

certo é que a harmonia é importante e que o contraste deve ser ponderado. quer dizer, nem todo contraste é bem vindo, embora alguns sejam capazes de tirar a roupa do previsível e produzir efeitos de grande estilo. em outras palavras, descobrir elementos distintos que possam ser bem incorporados à roupa, trazendo a particularidade de quem a veste, é muito legal! algo que podemos aprender olhando, percebendo e misturando as estéticas das capitais mineira e paulista.

13 agosto 2009

seu estilo é sustentável?

a pergunta que dá título ao post é provocante. afinal, sustentar a roupa que se veste, em detrimento de modismos ou críticas alheias, é a base de todo estilo pessoal. mas o que pensar sobre um estilo que inclui valores de sustentabilidade ambiental?

a sustentabilidade, segundo o dicionário Houaiss, significa "o que pode ser sustentado" e de acordo com a enciclopédia wikipédia, o termo original é desenvolvimento sustentável, que muito rapidamente podemos entender como um desenvolvimento atual preocupado com a manutenção das condições de prosseguimento das gerações futuras. ou seja, algo que deve ser enfrentado, de modo inevitável e com seriedade, mesmo quando pensamos a moda e o estilo pessoal.

nessa direção, o blog Oficina de Estilo (http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/b-i-c-i-c-l-e-t-a/) realizou um ótimo post sobre a moda em duas rodas, mostrando-nos como muitas mulheres, em países distintos, vem combinando a bicicleta e o vestir-se bem.

mulheres estilosas de bicicleta

se a sua cidade, porém, ainda não favorece o uso da bike, visite o blog The Sartorialist e inspire-se nas muitas pessoas andando a pé e com muito charme pelas ruas do mundo, inclusive na cidade de São Paulo.

foto tirada por Scott Schuman,
do
blog www.thesartorialist.blogspot.com,
nas ruas da cidade de São Paulo


esses exemplos vem questionar nossa possibilidade de conciliar o vestir-se bem - ou vestir-se de maneira até requintada - e andar a pé ou de bicicleta, contribuindo, assim, para um trânsito melhor, uma redução de poluentes no ar, uma diminuição no consumo de combustíveis, etc. e deixar o carro na garagem é apenas uma das várias atitudes a favor da sustentabilidade, nem tão difíceis de adaptar ao estilo de cada um. quer ver?

Chiara Gadaleta, estilista - dona da grife Tarântula -, stylist e uma das apresentadoras do programa Tamanho Único, do canal GNT, realizou o que chamou "Bazar Sustentável", vendendo, a preços baixos, parte de seu acervo pessoal - isto é, peças de seu próprio uso, que adquiriu ao longo dos anos, em sua trajetória de modelo e viagens internacionais. desse modo, além do repasse de roupas para reaproveitamento, sua proposta pedia que as clientes levassem suas próprias ecobags, evitando, com isso, o desperdício de sacolas de plástico ou papel.

Chiara Gadaleta realizou em julho, em São Paulo,
seu primeiro Bazar Sustentável

para quem não sabe, as ecobags são as sacolas retornáveis usadas nas compras aos supermercados, do tipo daquela velha sacola de feira das avós ou bisavós, no tempo em que os sacos e sacolas de plástico não eram tão comuns como hoje. eles, reconheçamos, deixaram a vida bem mais prática, mas revelaram-se um problema ambiental, uma vez que o plástico leva mais de cem anos para ser decomposto pela natureza. e antes que você ache desconfortável ir a um bazar e não contar com a sacola plástica para carregar suas compras, veja as inúmeras e belas opções de ecobags no mercado.

tem modelos de ecobag para todos os estilos

e então?
que tal adquirir uma, que não vai lhe custar muito, e surtirá um efeito - mesmo que aquele que você pode provocar - na redução de plástico no mundo? e mais, que tal tê-la sempre dentro da bolsa para, inclusive, incentivar ações como essa?


Viviane Westwood assume suas idéias
a favor da sustentabilidade


ainda nessa onda, a estilista inglesa Viviane Westwood, num programa de tevê da BBC, do apresentador Johnathan Ross, fez um discurso contra o consumo desenfreado, que sabemos aumentar o lixo do mundo. segundo o site www.chic.com.br, seus conselhos foram:

"
. não gaste dinheiro. continue usando as roupas que você já têm; . faça uma roupa de uma toalha de mesa ou cortinas de que você gosta; . pegue peças de seu namorado ou marido emprestadas; . se você realmente comprar moda, escolha bem o que comprar. isso ajuda o ambiente e você mesmo. 'senão as pessoas todas ficam parecidas umas com as outras', completou a estilista."

são tantos os exemplos que eu ainda poderia citar que só me resta concluir que a sustentabilidade é uma forte tendência de moda e que é bom se perguntar sobre a possibilidade de agregá-la ao seu estilo. afinal, nem será tão difícil, como sugere parte dos que fazem moda, e é por uma boa causa. vamos pensar a respeito?

04 julho 2009

"alguma coisa acontece no meu coração"*

há quase 3 anos eu me mudei para São Paulo: a maior metrópole do Brasil! e da América do Sul!!! não foi propriamente uma escolha pela cidade, mas por viver ao lado do, hoje, meu marido - ou, pensando um pouco, até pode ter sido, já que escolher ficar ao lado dele implicava viver aqui. de qualquer forma, ela tornou-se, assim, a terceira cidade da minha vida, depois de Pará de Minas - município dos meus pais, onde passei minha infância e adolescência - e Belo Horizonte - onde cursei a faculdade e iniciei minha carreira profissional.

e as mudanças, também de endereço, em geral, forçam-nos a mudar, em alguma intensidade, nosso jeito de ser e vestir. foi, é certo, o que aconteceu comigo, aos 18 anos, quando migrei para a capital mineira e, mais recentemente, para a capital paulista, embora os processos tenham sido diferentes no que diz respeito "a cidade" e sua influência no meu comportamento.

dá para enxergar mineiridades nos
desfiles do verão 2010 das grifes
mineiras
Graça Ottoni e Coven?
(clique em cima da imagem para ampliá-la)

é que Belo Horizonte está a apenas 80 km de Pará de Minas e configura-se, ao meu ver, como uma grande "terra de mineiros", vindos de todas as partes do estado. isso possibilitou-me, naquele momento, o conhecimento de algumas diversidades, mas também o reconhecimento de muitos hábitos, jeitos e sabores.

Sampa, por sua vez, não me apresentou mineirices (claro!), mas, além disso, não me mostrou "uma" cultura, "um" povo, como eu estava acostumada. o que vi foi uma diversidade de culturas e uma grande quantidade de povos de todo o Brasil e do mundo inteiro - isto é, diferenças que de tão grandes eram sentidas, em alguns momentos, como "o avesso do avesso do avesso", produzindo o cada um do seu modo, do seu lado, sem diálogo, sem troca.

foi aqui que comecei a usar sapatos mais baixos, que me permitissem looongas caminhadas. investi em paletós 100% lã, que realmente aquecessem. redescobri minhas orelhas e voltei a usar brincos, que, antes, eu preteria aos colares, broches e pulseiras. deixei de lado o secador e passei a encontrar beleza nos cabelos mais ouriçados e até irregulares. aumentei meu interesse por peças simples, mas belas - seja no design, seja no material -, que me possibilitassem imendar "bem" o dia e a noite. e, por fim, fiquei mais à vontade para ousar nas "fantasias" - algumas roupas que faziam meu marido perguntar-me se eu estava vestida de alguma personagem.

redescobri, na capital paulista, a possibilidade de usar
sapatos baixos e de enfeitar as orelhas


ou seja, fui obrigada a me adaptar a extensão da cidade, as suas baixas temperaturas, a exigência de objetividade e percebo que perdi, em parte, um pouco da delicadeza, do romantismo e das minúcias da roupa mineira. é até curioso refletir sobre isso, de que as mudanças que me foram necessárias exprimiram-se na vestimenta. agora penso que se a mineira é mais devagar, o que a permite uma maior elaboração, uma grande atenção aos detalhes, a paulistana é apressada e sua presença tem que se fazer notar com rapidez, praticidade e ousadia.

os mineiros Victor Dzenk e Ronaldo Fraga mostram
um trabalho minucioso nas passarelas do verão 2010


em outras palavras, se o estilo pessoal de uma mineira se faz notar nas entrelinhas, já que ela tem consigo a identidade de um povo, o da paulistana é mais escancarado, mais direto, de uma "deselegância discreta", já que não há uma cultura que a identifique, mas uma grande diferença que resvala para a indiferença e exige que a comunicação de uma peculiaridade se faça de maneira veemente.

peças "de presença" adquiridas em São Paulo

e se hoje eu divido essas palavras com vocês é porque me sinto uma mineira, que "vem de um outro sonho feliz de cidade" e que não ficou isenta de sentir, no coração e na "estampa", os acontecimentos e os efeitos de um tempo já vivido em Sampa.

para suportar as baixas temperaturas da "terra da garoa",
comprei uma lã 100% na 25 de Março,
elaborei esse modelo e pedi a Maria,
minha costureira de Pará de Minas, para confeccionar

* algumas frases usadas aqui são de Caetano Veloso e estão na música "Sampa".


obs.: gostaria de sublinhar que o conteúdo desse post refere-se a UMA experiência PESSOAL e ATUAL, isto é, que parte dos elementos da minha realidade e que estão em constante transformação.