20 abril 2009

entre meias

quando o frio começa a pintar, é hora de se agasalhar, cobrindo braços e pernas. para essas últimas, as calças são ótimas opções e, nesse inverno, vieram em modelagens tão diversas - skinny, sarouel, carrot (ou cenoura, que é a antiga semi-baggy), baggy, curta, reta... -, que vai ser fácil encontrar "a sua".

quem, contudo, não abre mão de uma saia ou um vestido, pode usá-los com meias-calça. elas, já há um tempo, são oferecidas em cores, texturas, estampas e fios que permitem as mais variadas combinações. e, pelo jeito, a atenção a essa parte do vestuário - que cresceu com o encurtamento das saias - continua grande. vamos ver?

meias opacas e coloridas nos desfiles
da TNG e Isabela Capeto


na hora de escolher uma meia, cabe pensar o que se quer com ela. isto porque além de proteger contra o frio, elas podem enfeitar, sofisticar, dar um toque de sensualidade, compor, comprimir, modelar, disfarçar ou até nos fazer duvidar do seu status de acessório.

as meias nas fotos acima, por exemplo, são opacas - com o fio a partir do 40 - quer dizer, mais "tapadinhas" e, portanto, próprias para o inverno. as cores, por sua vez, ajudam a enfeitar o
look, ou destacando-se (como com os vestidos pretos) ou produzindo continuidade (como com o vestido em tom de vinho/marrom).

a meia também se sobressaiu nas passarelas internacionais.
vejam, no desfile de Narciso Rodriguez, inverno 2010,
que a meia branca é tão importante no look
quanto as partes vermelha e preta


já as meias com o fio abaixo do 40 são transparentes e, quanto mais fino o fio, mais transparente (e também mais sensível, delicada, fácil de furar). o efeito é, por conseguinte, o de visão da pele por detrás da meia, o que acrescenta sensualidade e/ou pouco interfere na composição do figurino.

Reinaldo Lourenço apostou nas meias "transparentes"
e na mesma cor das roupas

e foi exatamente uma meia assim, mais fina, que também a marca Maria Bonita Extra propôs para o inverno 2009 - oferecido ainda pela Lupo, antiga fábrica brasileira de meias. trata-se de um meia transparente, de cor tradicional, mas com o detalhe do "risco atrás". aliás, vocês se lembram que as mulheres, na época da guerra, desenhavam tal risco, direto na pele, para simular a presença da meia? isso nos faz pensar o quanto ela era desejada, rara e cara - não?! de todo modo, o efeito aí, além de ser um charme, sensualiza e produz continuidade.

meias com um toque de sensualidade:
Maria Bonita Extra e Elisa Chanan

também nessa linha, mais sensual, estão as meias-arrastão ou "de rede", que, há muito, já não implicam uma "dançarina de cabaré". a propósito, quem deseja usá-las e, ao mesmo tempo, quer um pouco de discrição, há opções em cores suaves ou em tons de pele, à venda por aí.

e mais, os desfiles do inverno 2009 ainda trouxeram as meias estampadas e ou com desenhos feitos com o próprio fio. ambas interferem no figurino e devem ser combinadas com cuidado, para não provocar uma confusão visual.

as estampadas podem ser usadas com roupas
em um único tom. caso queira usar com roupas também estampadas, dê preferência para estampas com cores iguais ou irmãs.

já as com desenhos feitos com o próprio fio, quando "desenhos fechados", tem o mesmo efeito de uma meia rendada. a idéia aí é combinar com roupas de uma só cor ou
com o jeans, numa atitude meio punk rock - topas?

as meias estampadas seguindo a
regrinha de combinação pelas cores.
Uma, Cavalera e Maria Bonita

e acreditem! vocês ainda vão encontrar outros tipos nas lojas, entre os quais, as meias com brilho. com elas, a idéia é não abusar. logo, se o inverno estiver muito luminoso, melhor deixá-las para a noite.

meia com desenho fechado de fios usada
com roupa na mesma cor e meia brilhante
- mais propícia para a noite -
saindo bem de dia, desde que acompanhada
de peças que quebrem a luminosidade.
nas fotos, modelos de Lino Villavenura e Luella

e então, que tal aproveitarmos que o nosso inverno não é tão rigoroso e que as meias são favoráveis a esse clima de meia-estação? que tal aproveitarmos que as meias não são mais tão caras e nem tão frágeis como antigamente (quando eram de seda) e estão acessíveis até em farmácias e lojas de departamento? que tal aproveitarmos que é possível renovar o visual de algumas peças "antigas" acrescentando apenas uma bela meia?

Alexa Chung (imagem do blog www.garancedore.fr) e
uma pessoa fotografada para o Sartorialist
(www.thesartorialist.blogspot.com)
mostram como o acréscimo da meia-calça faz uma malha ou
uma camisa longa virarem um vestido


só não se esqueçam de dispensar todas as meias estragadas. na hipótese de só ter meias com furinho ou desfiado (exceção para as poucas pessoas que, de forma intencional, provocam furos e desfiados, como um recurso de estilo punk, mas então muitos furos e desfiados), melhor escolher uma calça ou ir com as pernas descobertas, pois os estragos dão a impressão de desleixo. e, na hora de guardar ou lavar, cuidado para não espichar, ok?

14 abril 2009

escolhendo o risco

certa vez, eu, que estava sem namorado há um tempo, escutei de uma pessoa que uma outra pessoa - leia-se: ela mesma ou ela também - possuía uma opinião a respeito: "era por causa das minhas roupas, que eram muito esquisitas."

de início, senti um misto de raiva e indignação e respondi: "esquisitas para ela! não para o meu futuro namorado!" foi uma resposta carregada de afeto - atravessada pelas relações que eu tenho com essas pessoas - mas não sem sentido. afinal, eu estava construindo meu estilo, conhecendo e/ou reconhecendo minhas idéias, meus interesses e, portanto, separando-me das idéias e interesses dos outros. nessa direção, eu estava certa sobre minhas roupas e meu marido (na época, futuro namorado), embora eu sentisse um certo desconforto em não agradar a todos que me eram caros.

mas, é isso aí! assumir o que se pensa - e também refletir isso na vestimenta - comporta o risco de ser criticado pelos outros, que preferiam você como uma extensão deles próprios. cabe então, a cada um, avaliar quanto pesa para si, o "ser aceito" e o "ser fiel ao que se é". e, é bem provável que, em situações diferentes, os pesos sejam diferentes.

vocês se lembram da história do Patinho Feio?
nela, o dilema era
ser igual aos irmãos
ou assumir sua diferença


o que quero sublinhar é que a construção de um estilo é um processo de conhecimento sobre si mesmo e de reconhecimento de si em cada nova situação. em outras palavras, implica, além do risco de ser criticado, o risco de se confundir e errar. afinal, nem tudo é sempre tão claro em nossas vidas. quer um exemplo?

dias atrás fui num casamento noturno, fora de São Paulo. ao preparar as malas, separei um vestido que fiz recentemente e cujo comprimento vai até o joelho. foi quando meu marido perguntou-me: "você não vai de longo?" prontamente eu disse não - na verdade, tenho achado os vestidos longos sem graça. confesso, porém, que ao pensar na possível festa, nas pessoas que encontraria, hesitei quanto a adequação do vestido e acabei acrescentando um longo na mala. no dia, contudo, só me reconheci no vestido mais curto e - confiante! - investi no cabelo, maquiagem e acessórios.

vestidos curtos que vão a um casamento:
Isabela Capeto, Neon e André Lima

vestidos longos - esses com graça -
Acqua Studio
, André Lima e Samuel Cirnansck


em outras palavras, escolhi o risco de ser criticada por não estar de longo em detrimento do risco de não me sentir confortável de vestidão. e, pelo jeito, acertei! não me senti mal em ser uma das únicas de vestido curto, as críticas não aconteceram - pelo menos, que eu saiba - e até recebi alguns elogios.

de qualquer forma, eu arrisquei e poderia ter errado, como já errei muitas vezes. afinal, ao fazermos escolhas, escolhemos os riscos e nem sempre calculamos bem o que mais nos importa. a partir do momento, porém, que se torna mais claro, pra gente mesmo, qual a mensagem que queremos transmitir com a roupa que vestimos, erramos menos e nos preparamos melhor para as críticas que vierem.

a dúvida entre vestido curto ou vestido longo era, na verdade,
a dúvida entre usar o que queria e o que convinha.
nas fotos, ousadias - criticáveis? sustentáveis? - nos desfiles da
Cavalera, Alexandre Herchcovitch e Fause Hat
en

então você, que está em dúvidas quanto ao que vestir, pense e arrisque. e, se errar, errou! aliás, faz parte.

06 abril 2009

UM jeito de usar

no último são paulo fashion week, que ainda rende assunto - afinal, diz respeito ao inverno 2009 -, surpreendi-me com um jeito de usar a "velha" malha de lã, muito além de um agasalho somente para crianças e idosos ou que se veste apenas em casa. é que a peça, em geral, grande e larga, não é nenhuma novidade aos nossos olhos e, de modo muito provável, já esteve ou ainda está presente em nossos armários.

malhas de lã enquanto vestidos curtos nos desfiles da
TNG, Juliana Jabour e Colcci

vejam como a malha de lã pode ganhar as ruas e as jovens-adultas, como um mini-vestido, desde que valorizada pela estampa e/ou por boas combinações: com meia-calça colorida, botas, polainas e broches.

"velhas" peças em um novo jeito de usar,
na passarela de Simone Nunes


nas propostas de Simone Nunes, as lãs - uma de estampa até comum (mais curtinha), outra atual - vem acompanhadas do uso do cinto, ora sobre bermuda, ora repetindo a idéia de um vestidinho.

a proposta aqui é chamar atenção ao fato de que a marca pessoal de cada um se faz desde a escolha da peça, passando pelos detalhes (tamanho, modelagem, acabamento...) que a compõem, até o jeito de usar. isto quer dizer que a mesma peça, que comporta os mesmos detalhes, ainda assim diferencia-se em cada um que a veste, com seu corpo (claro!), mas também suas combinações.

o paletó de malha de lã vai passear com "eles",
acompanho de calça skinny e botas, da 2nd Floor


em outras palavras, o jeito de usar é um modo de criar e até inovar um estilo, já que se pode escolher o seu jeito de usar uma peça e de inventar novos jeitos seus de usar antigas peças. e então, nesses dias frios, que já pintam por aqui e por aí, que tal, inspirados pelas imagens, repensar os usos das suas malhas de lã?