27 janeiro 2009

Carmen Miranda indica-nos como olhar o spfw

entre os dias 18 e 23 de janeiro aconteceu a 26ª edição do são paulo fashion week, inverno 2009, com o tema felicidade, cunhado sob o termo brasileirismos. no prédio da Bienal, que abrigou o evento, a decoração incluía, entre outras coisas, uma torre de bolas coloridas, frases de pára-choque de caminhão e uma homenagem à Carmen Miranda, que estaria completando 100 anos de idade. que tal conhecermos um pouco da história dessa artista "brasileira" para então pensarmos o spfw?

homenagem à Carmen Miranda no spfw, inverno 2009

Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em 9 de fevereiro de 1909, em Portugal, e mudou-se com a família para o Brasil - Rio de Janeiro - quando tinha cerca de um ano. seu primeiro emprego foi numa loja de gravatas. trabalhou também numa chapelaria, onde confeccionava e vendia chapéus. dizem que era uma exímia costureira e que nessa época já criava os turbantes, que viriam a se tornar uma de suas "marcas registradas".

Carmem Miranda e seus muitos adornos de cabeça

foi com a cantoria, contudo, que Maria do Carmo destacou-se primeiro, levando seu tio a apelidá-la de Carmen - em referência à ópera de Bizet. logo, logo ela começou a cantar no rádio e em 1930 foi considerada "a maior cantora brasileira" (segundo o jornal O País). com um grande talento para performance, estreiou no cinema em 1933, no filme A voz do carnaval. participou ainda do elenco do Cassino da Urca e recebeu o convite para fazer carreira nos Estados Unidos.

em março de 1939 gravou o samba "O que é que a baiana tem?", de Dorival Caymmi, e em maio do mesmo ano, partiu para Hollywood, onde fez um enorme sucesso de público e crítica.

em 1940, Carmen Miranda enfrentou, com música e humor, as críticas (feitas também por opositores da política estadunidense) de que estaria americanizada. e em 1941 imprimiu suas mãos e sapatos na "calçada da fama", em Los Angeles.

ainda jovem, aos 46 anos, ela morreu em sua casa, em Beverly Hills, em decorrência de um infarto fulminante. estava casada com o americano David Sebastian, não tinha filhos e vinha sofrendo com o abuso de
tabaco, álcool e barbitúricos.

mas afinal, o que Carmem Miranda pode nos ensinar sobre o são paulo fashion week?

detalhes das plataformas e figurinos de Carmen Miranda, expostos no spfw

ela, que tinha um pouco mais de 1,50 metros de altura (uns dizem 1,53, outros 1,54) era chamada "a pequena notável" - mais um apelido, este dado pelo radialista César Ladeira. ou seja, fazia-se notar com o seu estilo, que combinava alguns truques - como o uso das plataformas (altíssimas) e dos turbantes, que lhes deixavam mais alta - junto à segurança de estar bem representada pela roupa que vestia
. acabou, com isso, lançando moda, pois influenciou a maneira de vestir de muitas mulheres de sua época, inspirando peças à la Carmen, que encheram as lojas da Fifth Avenue, em Nova Iorque.

"a pequena notável" no filme Entre a loura e a morena, de 1943

a
pesar disso, porém, Carmem dizia: "Nunca segui o que dizem que está na moda. Acho que a mulher deve usar o que lhe cai bem. Se querem me imitar, não tenho nada com isso" (Revista Cláudia, fevereiro de 2006).

a questão é que Carmen tinha seu próprio estilo que, de tão forte, virou tendência de moda. aliás, segundo Galvão Ferraz, o samba "O que é que a baiana tem?" participou da construção do "estilo Carmen", pois "ajudou-a a compor o figurino e o gestual" (Revista Cláudia, fevereiro de 2006).

o inconfundível estilo de Carmem Miranda

e vocês se lembram da música? pelo menos dessa parte?

o que é que a baiana tem?

tem torso de seda tem (tem)
tem brinco de ouro tem (tem)
colares de ouro tem (tem)
tem bata rendada tem (tem)
tem saia engomada tem (tem)
sandália enfeitada tem (tem)
tem pano da Costa tem (tem)
pulseira de ouro tem (tem)
e tem graça como ninguém...! (continua)


é mesmo curioso como a letra parece uma descrição de estilo. há nela a localização de uma identidade - a baiana - a consideração de algumas características pessoais - como a graça, o requebrado, a alegria - e a listagem de objetos da vestimenta que mostram essa identidade, que falam dessas características. não fica dúvidas, pelo menos para mim, de que essa definição fortaleceu Carmen no momento de representar o Brasil lá fora, contribuindo para o seu sucesso.

assim, lembrando-nos da "pequena notável", que mesmo lançando moda, defende o estilo próprio, tentaremos pensar o que rolou n
o spfw, mas só em próximos posts. deixo aqui umas imagens, uns brasileirismos, para vocês se animarem em seguir comigo.

Do estilista, Neon, Ronaldo Fraga, Cavalera

3 comentários:

  1. Raquel, achei muito interessate. foi ótimo saber um pouco mais sobre Carmem Miranda e o seu estilo. Beijos, Flávia

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  2. 100 anos Carmen Miranda, vamos tambores rufar!”

    Parabéns à organização da São Paulo Fashion Week por usar o “Brasileirismo” e por se ter lembrado de Carmen Miranda, nesta altura em que o mundo lhe presta uma homenagem!
    As músicas de Carmen são eternas e marcam uma época importantíssima da Historia – a 2ª Grande Guerra – com a sua música.
    Esta grande diva, ficará para sempre em nossos corações; será lembrada como “a Pequena Notável” do lindo sorriso, alegre e encantador!
    Nós em Portugal temos um Museu de Carmen Miranda que, na minha opinião, vale a pena visitar!
    Eu como artista plástica que sou não podia ficar indiferente face as 100 anos da sua existência, ainda mais, porque nasceu numa cidade perto da minha.
    Deixo de seguida o meu blog onde também eu homenageio Carmen Miranda. Espero que gostem da surpresa!

    http://gabrielamarquescosta.wordpress.com

    Gabriela Marques da Costa

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